Delivery
Como diminuir a dependência do iFood sem perder vendas
O aplicativo traz pedidos, mas cobra caro e fica com o contato do cliente. Veja um passo a passo para criar um canal próprio de pedidos e equilibrar as vendas do seu delivery.
O iFood e os outros aplicativos de delivery resolveram um problema enorme para os restaurantes: colocar a loja na frente de milhares de pessoas com fome, todos os dias. O problema começa quando quase todo pedido passa por eles.
Nesse cenário, cada venda chega com um desconto embutido (a comissão e as taxas do aplicativo), o contato do cliente fica com a plataforma e qualquer mudança de regra ou de posição na vitrine mexe direto no seu faturamento.
A boa notícia: não é preciso sair do iFood para mudar esse quadro. O objetivo é equilibrar: usar o aplicativo para ser descoberto e construir, ao lado dele, um canal de pedidos que é seu.
Por que depender só do aplicativo é arriscado
- A margem fica menor em todo pedido. Comissão, taxa de pagamento e promoções que você banca saem de cada venda.
- O cliente não é seu. Você não consegue avisar quem pediu uma vez que chegou um prato novo ou que a pizza de sexta está com frete grátis.
- As regras não são suas. Mudanças de taxa, de algoritmo ou de posição na busca afetam suas vendas sem que você tenha controle.
- A concorrência está a um toque de distância. Na vitrine do aplicativo, seu restaurante aparece ao lado de dezenas de outros, muitas vezes com promoções agressivas.
Passo 1: descubra quanto cada pedido do aplicativo custa de verdade
Antes de qualquer estratégia, faça a conta. Some tudo o que sai de um pedido feito pelo aplicativo:
- a comissão do seu plano;
- a taxa de pagamento online, se houver;
- os cupons e as promoções que você banca;
- a embalagem e o que mais for diferente do pedido direto.
Divida pelo valor do pedido e você terá o percentual que fica com o canal. Exemplo hipotético: se tudo somado leva 25% de um pedido de R$ 80, são R$ 20 por pedido. Em 600 pedidos no mês, são R$ 12 mil. Agora imagine uma parte desses clientes pedindo direto com você.
Esse número muda de restaurante para restaurante e de plano para plano, então use os valores do seu contrato e do seu extrato.
Passo 2: tenha um canal próprio de pedidos
Para o cliente pedir direto, ele precisa de um caminho tão fácil quanto o aplicativo. Isso normalmente significa:
- cardápio digital próprio, com fotos, preços e pedido pelo celular em poucos toques;
- pagamento online ou na entrega, sem complicação;
- atendimento rápido no WhatsApp para quem prefere conversar;
- o mesmo cuidado com o tempo de entrega e a embalagem que você tem no aplicativo.
Se o pedido direto for mais trabalhoso que o do aplicativo, o cliente volta para o aplicativo. Teste o seu cardápio digital como se fosse um cliente: abra no celular, monte um pedido e veja onde trava.
Passo 3: dê um bom motivo para pedir direto
Sem a comissão, sobra espaço para oferecer uma vantagem e ainda ganhar mais por pedido. Algumas ideias:
- preço igual ou melhor que no aplicativo;
- combo ou item exclusivo do canal próprio;
- frete grátis a partir de um valor;
- programa de fidelidade: a cada tantos pedidos, um brinde ou um desconto.
O motivo precisa ser claro e aparecer em todo lugar: no Instagram, no Google, no salão e na conversa do WhatsApp.
Passo 4: leve as pessoas para o canal próprio pelos canais que são seus
Antes de qualquer ação com clientes que chegaram pelo aplicativo, confira as regras da plataforma: elas mudam com frequência e algumas proíbem certas práticas. O caminho mais seguro é divulgar o canal próprio onde a relação com o cliente já é sua:
- no salão: cardápio com QR Code na mesa, no balcão e na conversa do garçom;
- no Instagram: link na bio, destaques e stories frequentes com o link de pedido;
- no Google: o Perfil da Empresa (Google Maps) com o botão de pedido apontando para o seu cardápio;
- no WhatsApp: atendimento ágil e o link do cardápio sempre à mão para quem já pede por lá.
Passo 5: use anúncios para quem está perto
Anúncios no Instagram e no Facebook permitem mostrar o seu restaurante só para quem está dentro do seu raio de entrega, nos horários em que as pessoas pensam em comida. Em vez de levar essas pessoas para o aplicativo, leve para o seu cardápio digital.
O ponto-chave é medir: quantos pedidos cada anúncio trouxe e quanto custou cada pedido. Sem essa conta, o anúncio vira gasto, e não investimento.
Passo 6: transforme quem pediu uma vez em cliente fiel
Cada pedido direto traz algo que o aplicativo não entrega: o contato do cliente, com autorização para receber mensagens. Com uma base organizada, você consegue avisar sobre novidades, lembrar quem sumiu e premiar quem pede sempre. Explicamos esse processo no artigo Como trazer de volta o cliente que parou de pedir.
E o iFood? Continue, mas com estratégia
O aplicativo continua sendo uma ótima vitrine para clientes novos. Mantenha a loja bem posicionada: fotos boas, cardápio organizado, avaliações respondidas e promoções pensadas para dar lucro, e não só volume. A diferença é que, agora, ele é um dos seus canais, e não o único.
Resumo: checklist para equilibrar as vendas
- Calcule quanto cada pedido do aplicativo custa de verdade.
- Tenha um cardápio digital próprio, simples de usar no celular.
- Ofereça um motivo claro para o cliente pedir direto.
- Divulgue o canal próprio no salão, no Instagram, no Google e no WhatsApp.
- Use anúncios locais apontando para o canal próprio e meça o retorno.
- Organize os contatos dos clientes e crie ações de recompra.
