Delivery

Como diminuir a dependência do iFood sem perder vendas

O aplicativo traz pedidos, mas cobra caro e fica com o contato do cliente. Veja um passo a passo para criar um canal próprio de pedidos e equilibrar as vendas do seu delivery.

Por Equipe LP MídiasPublicado em 5 min de leitura

O iFood e os outros aplicativos de delivery resolveram um problema enorme para os restaurantes: colocar a loja na frente de milhares de pessoas com fome, todos os dias. O problema começa quando quase todo pedido passa por eles.

Nesse cenário, cada venda chega com um desconto embutido (a comissão e as taxas do aplicativo), o contato do cliente fica com a plataforma e qualquer mudança de regra ou de posição na vitrine mexe direto no seu faturamento.

A boa notícia: não é preciso sair do iFood para mudar esse quadro. O objetivo é equilibrar: usar o aplicativo para ser descoberto e construir, ao lado dele, um canal de pedidos que é seu.

Por que depender só do aplicativo é arriscado

  • A margem fica menor em todo pedido. Comissão, taxa de pagamento e promoções que você banca saem de cada venda.
  • O cliente não é seu. Você não consegue avisar quem pediu uma vez que chegou um prato novo ou que a pizza de sexta está com frete grátis.
  • As regras não são suas. Mudanças de taxa, de algoritmo ou de posição na busca afetam suas vendas sem que você tenha controle.
  • A concorrência está a um toque de distância. Na vitrine do aplicativo, seu restaurante aparece ao lado de dezenas de outros, muitas vezes com promoções agressivas.

Passo 1: descubra quanto cada pedido do aplicativo custa de verdade

Antes de qualquer estratégia, faça a conta. Some tudo o que sai de um pedido feito pelo aplicativo:

  • a comissão do seu plano;
  • a taxa de pagamento online, se houver;
  • os cupons e as promoções que você banca;
  • a embalagem e o que mais for diferente do pedido direto.

Divida pelo valor do pedido e você terá o percentual que fica com o canal. Exemplo hipotético: se tudo somado leva 25% de um pedido de R$ 80, são R$ 20 por pedido. Em 600 pedidos no mês, são R$ 12 mil. Agora imagine uma parte desses clientes pedindo direto com você.

Esse número muda de restaurante para restaurante e de plano para plano, então use os valores do seu contrato e do seu extrato.

Passo 2: tenha um canal próprio de pedidos

Para o cliente pedir direto, ele precisa de um caminho tão fácil quanto o aplicativo. Isso normalmente significa:

  • cardápio digital próprio, com fotos, preços e pedido pelo celular em poucos toques;
  • pagamento online ou na entrega, sem complicação;
  • atendimento rápido no WhatsApp para quem prefere conversar;
  • o mesmo cuidado com o tempo de entrega e a embalagem que você tem no aplicativo.

Se o pedido direto for mais trabalhoso que o do aplicativo, o cliente volta para o aplicativo. Teste o seu cardápio digital como se fosse um cliente: abra no celular, monte um pedido e veja onde trava.

Passo 3: dê um bom motivo para pedir direto

Sem a comissão, sobra espaço para oferecer uma vantagem e ainda ganhar mais por pedido. Algumas ideias:

  • preço igual ou melhor que no aplicativo;
  • combo ou item exclusivo do canal próprio;
  • frete grátis a partir de um valor;
  • programa de fidelidade: a cada tantos pedidos, um brinde ou um desconto.

O motivo precisa ser claro e aparecer em todo lugar: no Instagram, no Google, no salão e na conversa do WhatsApp.

Passo 4: leve as pessoas para o canal próprio pelos canais que são seus

Antes de qualquer ação com clientes que chegaram pelo aplicativo, confira as regras da plataforma: elas mudam com frequência e algumas proíbem certas práticas. O caminho mais seguro é divulgar o canal próprio onde a relação com o cliente já é sua:

  • no salão: cardápio com QR Code na mesa, no balcão e na conversa do garçom;
  • no Instagram: link na bio, destaques e stories frequentes com o link de pedido;
  • no Google: o Perfil da Empresa (Google Maps) com o botão de pedido apontando para o seu cardápio;
  • no WhatsApp: atendimento ágil e o link do cardápio sempre à mão para quem já pede por lá.

Passo 5: use anúncios para quem está perto

Anúncios no Instagram e no Facebook permitem mostrar o seu restaurante só para quem está dentro do seu raio de entrega, nos horários em que as pessoas pensam em comida. Em vez de levar essas pessoas para o aplicativo, leve para o seu cardápio digital.

O ponto-chave é medir: quantos pedidos cada anúncio trouxe e quanto custou cada pedido. Sem essa conta, o anúncio vira gasto, e não investimento.

Passo 6: transforme quem pediu uma vez em cliente fiel

Cada pedido direto traz algo que o aplicativo não entrega: o contato do cliente, com autorização para receber mensagens. Com uma base organizada, você consegue avisar sobre novidades, lembrar quem sumiu e premiar quem pede sempre. Explicamos esse processo no artigo Como trazer de volta o cliente que parou de pedir.

E o iFood? Continue, mas com estratégia

O aplicativo continua sendo uma ótima vitrine para clientes novos. Mantenha a loja bem posicionada: fotos boas, cardápio organizado, avaliações respondidas e promoções pensadas para dar lucro, e não só volume. A diferença é que, agora, ele é um dos seus canais, e não o único.

Resumo: checklist para equilibrar as vendas

  • Calcule quanto cada pedido do aplicativo custa de verdade.
  • Tenha um cardápio digital próprio, simples de usar no celular.
  • Ofereça um motivo claro para o cliente pedir direto.
  • Divulgue o canal próprio no salão, no Instagram, no Google e no WhatsApp.
  • Use anúncios locais apontando para o canal próprio e meça o retorno.
  • Organize os contatos dos clientes e crie ações de recompra.

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